5 erros de Mixagem que estão arruinando seu resultado

Desde que eu comecei a dar aulas presenciais em 2011, que o tema predileto dos alunos é MIXAGEM. Sim, queridos amigos, nessa fase é que a mágica acontece, mas como todo bom “mágico”, você precisa de bons assistentes. Nesse caso, os melhores são: um bom par de ouvidos e um bom conjunto de neurônios.

A grande armadilha de quem está se desenvolvendo nessa área e ainda não alcançou um resultado satisfatório é olhar sempre adiante. Logo à frente deve existir algum segredo, alguma técnica avançada, algum plugin fantástico que eu ainda não descobri, algo que não está ao meu alcance ainda. Aí que você se engana, jovem Padawan. Na grande maioria das vezes, a força está dentro de você, só falta saber olhar para o lugar certo.

Então, decidi trazer alguns erros bastante comuns, que estão arruinando seu resultado e que você pode corrigir agora mesmo, sem precisar de nenhuma nova ferramenta, bastando para isso, sentar e estudar!


Você corre ansioso para processar as tracks.

Finalmente, você acabou de gravar e editar suas tracks, o projeto está pronto para a fase de mixagem e o que você faz? Abre aquele belo exemplar de equalizador no bumbo da bateria e começa a mix sem nenhum preparativo. Sem nenhuma organização, sem nenhuma referência, sem nenhum equilíbrio, sem nenhum tratamento geral, você se pega processando as tracks. Isso é o que muitos produtores chamam de jogar sal na comida, sem antes provar.

É muito importante ter uma noção de como sua música está se comportando no início, do que funciona e o que não, para definir o grau de processamento das tracks. Excesso de processamento, que por sua vez desencadeia infinitas idas e vindas, é um erro muito comum, que pode ser evitado com passos simples. Talvez o principal seja gastar um tempo buscando equilíbrio de volume para a mix.

Um bom hábito de levelling (manipulação dos volumes internos e externos), vai evitar vários erros, como falta de coerência no plano de volume dos elementos (coisas soando muito altas ou baixas), volume geral da mix muito alto ou baixo, erros de dinâmica geral e por aí vai.

Você decorou a equalização

Existem receitas no áudio? Sim, não restam dúvidas. Isso é um aspecto muito interessante, inclusive. Mas nem só de decorebas vive um bom técnico. Na verdade, para ele chegar a esse ponto de usar receitas com segurança, precisa desenvolver um bom alicerce teórico, ter praticado bastante para aumentar seu poder de raciocínio e treinamento auditivo.

Em relação à equalização, não basta catar qualquer tabela e sair aplicando regras. Antes de partir para varreduras e tentativa e erro, você precisa ter intimidade com os grupos de frequência, quais fenômenos acontecem em cada grupo e quais são mais comuns em cada tipo de elemento musical.

Seja honesto, você consegue responder de cabeça e rapidamente onde começa e termina os graves, por exemplo? Você saberia explicar o que é um som “muddy”, em qual região esse fenômeno ocorre?

Como falar de técnicas e tipos de equalização se você não domina essa base? Como falar de frequências, se você não as conhece?

Você se obriga a comprimir tudo

Você sabe que o compressor é a ferramenta queridinha dos técnicos e se sente na obrigação de sair comprimindo tudo sem critério. Geralmente, quem tem essa postura, também não domina os parâmetros e raciocínios básicos para usar o compressor de forma consciente. Junte o impulso de usar emuladores e o circo tá formado. Joga-se plugins emuladores de circuitos que não conhece, em tipos de transientes que muitas vezes não combinam e não utiliza uma dosagem de compressão coerente. Resultado: as tracks que soavam até bem, ficam prejudicadas e problemas existentes soam piores ainda.

Uma regra básica aqui e que serve para a mixagem em geral é: se soa bem, mal não tem. Nem sempre é necessário processar.

Você se embanana com ambiências

Lembra do papo lá em cima, sobre focar em técnicas avançadas? Pois bem, isso acontece demais quando o papo é uso de Reverbs e Delays. É muita piração (algumas da hora, reconheço) que pode rolar aqui: soma de Reverbs, Delays de 2 tempos diferentes, automação, compressões e equalizações, controle Mid/Side. Enfim.

O fato é que quando falamos de ambiência, deixar as pirações e começar pensando em construção de espaços é mais coerente. O objetivo mais básico é quebrar a secura da gravação. Lembra que evitamos os sons ambientes, justamente para ter margem de manipulação com os softwares? Então, comece “construindo” os espaços em volta dos elementos. Duas regrinhas podem te ajudar: Sons mais próximos do ouvinte não precisam soar tão carregados. Não é necessário passar todos os elementos por Reverb/Delays para criar um senso de ambiência geral para a mix. Existem outras.

Você não pede ajuda “ao universitários”

Existe uma série de ferramentas que auxiliam a “leitura” da sua mixagem e que você negligencia. Nesse nosso universo de redes digitais, com certeza você segue algum perfil de algum produtor que posta fotos e vídeos dos seus processos. Você já deve ter visto plugins esquisitões, mostrando gráficos e medições, mas que não te enchem muito os olhos já que eles “não mudam em nada” o som. São ferramentas de medições, como analisadores de frequência, scopes, diferentes tipos de meters de volume (olha ele aí de novo), de dynamic range, stereo image e vai embora.

Claro que devemos mixar com os ouvidos, mas essas ferramentas nos ajudam a usar nosso sentido mais aguçado, a visão. Mal nenhum em pedir uma ajudinha.

Pensando nesse papo todo é que eu me senti motivado a fazer a Semana da Mixagem, um workshop online e gratuito, que rola de 7 a 11 de Maio/2017, em que darei algumas aulas sobre os temas aqui citados, dentre outros, mostrando alguns exemplos práticos e discutindo também sobre estratégia de estudo, para se chegar num resultado profissional em pouco tempo. Se você sente que tem bastante pra evoluir, não deixe de se inscrever. De quebra, você baixa o meu novo ebook o “Guia Rápido – Mixagem” com uma série dessas dicas simples e impactantes para seu fluxo de trabalho.

Figura: Inscreva-se na Semana da Mixagem para baixar.