5 tipos de plugins para uma abordagem de mix/master mais analógica

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Amamos plugins. Fato! Bem como, amamos equipamentos. São nossos brinquedos de adultos. Com o advento dos computadores, cada vez mais potentes, ganhamos experiências de usuário mais interessantes, com plugins lindos e com um P*** som! Nesse universo, as emulações de hardwares reais e suas características também melhoram a cada dia. Eu tenho feito cursos e artigos nessa praia e semana passada recebi uma dúvida interessante de um aluno: para além de equalizadores e compressores (que são bem badalados), como posso manter uma abordagem mais analógica para minhas produções?

Jovem Padawan, respondo: na minha opinião, para alcançar esse objetivo de uma vibe mais analógica no ambiente in the box (no computador), devemos fazer uma viagem no tempo e nos imaginarmos trabalhando nos períodos clássicos da produção musical.

Conforme o áudio digital começou a se difundir no mundo, muitos produtores vivenciavam suas experiências com a tal novidade e reportavam as diferenças em relação ao universo analógico. O que começou com feedbacks bastante subjetivos, do tipo "sinto que falta um calor, uma vida...", se tornou a construção de toda uma indústria de meticulosa investigação, que, em conjunto com grandes produtores e engenheiros, se propõe a entender e reproduzir as chamadas características analógicas.

Hoje sabemos, por exemplo, que a interação de um sinal com um circuito elétrico pode afetar o conjunto de frequências e comportamento de dinâmica, dentre outros. Sabemos também que essas alterações não são lineares, ou seja, não são exatamente iguais o tempo todo. Na verdade, muitas dessas características tidas anteriormente como defeitos e dificuldades do áudio analógico, podem ser enxergadas como elementos que traçam sua identidade.

Muitos plugins trabalham no sentido de representar essas alterações, comportamentos e até defeitos a fim de alcançar atributos valiosos que produtores e engenheiros acreditam estar ligados aos equipamentos, como: cola, profundidade, dimensão, calor, dentre outros. As empresas investigam como cada elemento utilizado no passado (muitas vezes até hoje) influencia nas características sonoras de uma amostra.

Baseado no que foi dito acima, sugiro 5 linhagens de plugins emuladores, que podem te ajudar numa abordagem mais analógica, digamos:

1 - Fita - antes dos computadores, as amostras de áudio eram registradas em fitas magnéticas, que por suas condições físicas, impunham algumas limitações e alterações sonoras. De maneira geral, as investigações mostraram que elas influenciam a faixa dinâmica e o comportamento de frequências do elemento ou mix. São geralmente relacionadas com calor e/ou colorações bastante musicais, também associadas ao atributo cola, por sua compactação dinâmica. Podemos dizer que de maneira geral, usar emuladores de fita significa realizar uma espécie de compressão e saturação.

Exemplos: Virtual Tape Machine (Slate Digital), Krammer Tape e J37 (Waves), VTM-M2 (CDSoundMaster)

Figura 1 - super famosa máquina de fita Studer A827, que foi utilizada em muitos álbuns famosos. É emulada no plugin Virtual Tape Machine da Slate Digital.

2 - Mixer (Consoles) - junto com as fitas, outro equipamento principal nos estúdios clássicos, que foi substituído pelas DAWs são as mesas de som. Muitas delas se tornaram lendas na produção musical, sendo aclamadas até hoje, tidas como verdadeiros troféus, podendo facilmente custar mais que uma casa! Como o nome sugere, os mixers possuem papel fundamental na soma (summing) dos elementos de uma música, valorizando o atributo cola. Em grande parte, isso acontece pela excitação harmônica que seus circuitos geram, que afetam tanto o comportamento dinâmico, quanto de frequências de uma amostra. A maioria dos plugins trabalha com dois tipos de instâncias, que possuem características distintas, uma para os channels (canais) e outra para os bus (grupos ou canal master), o que mostra o cuidado das marcas em tentarem reproduzir o funcionamento desses equipamentos.

Exemplos: NLS (Waves); Virtual Console Collection (Slate Digital), Satson (Sonimus)

Figura 2 - clássica mesa EMI TG 12345 utilizada no estúdio Abbey Road na gravação de discos célebres como Dark Side of the Moon, do Pynk Floyd. É um dos três mixers emulados no plugin NLS da Waves, junto dos consoles SSL 4000G e  Neve 5116.

3 - Pré amplificadores - a pré amplificação do sinal de um microfone ou instrumento é um dos primeiros passos na produção musical. Muitos prés se tornaram clássicos pela sua riqueza sonora, o que está por trás de altas cifras. Percebo que nos últimos anos vem crescendo a oferta de plugins que simulam tanto equipamentos reais famosos, quanto suas características. Uma aplicação interessante desse tipo de plugin, pode ser utilizá-lo não como um recurso de mixagem, mas de captação. Algumas DAWs como o Reaper, oferecem a opção de inserção do plugin na entrada do sinal, ou seja, antes dele ser registrado. Esse caminho é interessante, além de aprimorar seu timbre, para poupar processamento.

Exemplos: 6x-500 (Lindell Audio), Scheps 73 (Waves), Acqua Vox (Acustica Audio), N-TEN-AT4 (CdSoundMaster)

Figura 3 - não só de equipamentos super clássicos e caros vive a indústria de emulações. Acima temos um pré/eq Lindell de apenas 350,00 dólares, oferecido também em versão plugin pela mesma empresa, que promete modelagem rica em detalhes.

4 - Vinyl - a mídia final também influencia no processo de produção musical em si, no caso do vinil, definitivamente possui características que remetem aos discos clássicos. Além dos chiados e estalos, plugins emuladores tentam recriam outros efeitos e influências desse tipo de mídia no material gravado. Não são muito comuns, mas pode ser um caminho interessante, principalmente para aqueles que buscam uma sonoridade mais retrô.

Exemplos: Abbey Road Vinyl (Waves), Izotope Vinyl (Izotope), Retro Color - RC-20 (XLN)

Figura 4 - mídia em vinil clássico.

5 - Saturadores/Exciters/Outros - para bem da verdade, se repararam, a maioria desses plugins alteram o som no sentido da saturação da amostra. Grosseiramente falando, toda saturação representa uma limitação de amplitude de onda (o que de certa forma é uma compressão, uma alteração dinâmica), bem como uma excitação harmônica. Daí, um outro caminho seria deixarmos de lado a emulação de equipamentos reais e partimos para emulação ou reprodução de diferentes tipos de saturação. O mercado está realmente lotado de todo tipo de excitador, o que vale a pesquisa e a experimentação exaustiva para encontrar aqueles que mais se adequam ao seu estilo de produção.

Exemplos: Twin Tube (SPL), Tube Saturator 2 (Waves Art), Retro Color RC-20 (XLN), Saturn (Fabfilter)

Pra resumir, existem dois caminhos muito interessantes: conhecer equipamentos reais e suas emulações, transformando seu Home num super simulador de grandes estúdios; ou simplesmente, seguir trabalhando de forma prática, com plugins convencionais, porém aplicando os saturadores sempre que possível, em diferentes vias e texturas, para valorizar e quebrar a tão criticada frieza digital. No futuro, retorno destrinchando mais cada um desses tipos citados aqui. Vale lembrar ainda, que existem outros plugins para abordagens mais analógicas como os efeitos clássicos, como reverb de placa, mola, por exemplo; bem como, outros tipos emulações que vêm surgindo, como as simulações de microfone.

Por fim, para evitarmos alimentar mitos, sugiro que você seja criterioso e realize experimentos. Nada de sair por aí espetando plugins sem consciência do que está fazendo. Que tal mixar uma mesma música, utilizando na primeira abordagem apenas plugins "digitais" comuns e na segunda, apenas plugins emuladores?

Pra fechar, confira o vídeo em que mostro na prática a atuação dos tipos de plugins citados acima:


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