Afinal, você precisa de um pré externo?

 

Sejamos honestos, o universo do áudio é encantado, existe tanta magia nessa coisa de moldar timbres, tirar som, que facilmente embarcamos num mundo de aventuras e sonhos. Justamente ,nesse lance quase lúdico, é que mora uma das maiores armadilhas: transferir para fatores externos a responsabilidade de soar bem.

Uma das perguntas mais comuns e um dos temas mais badalados do meio é a respeito da real necessidade de adquirir prés amplificadores externos. Então, resolvi fazer uma breve análise e no final te darei minha opinião pessoal sobre o assunto.

Primeiro, precisamos entender a origem do pré amplificador e sua função principal. Acompanhe o raciocínio:

Se você enfiar o dedo na tomada o que acontece? Isso mesmo, você leva um choque. Ali existe uma corrente elétrica, medida em volts. Sabemos também que o som não existe diretamente nos sistemas de áudio. A informação mecânica do som é traduzida em um sinal elétrico pelos microfones e captadores, para que possa ser manipulada e armazenada. Esse sinal também possui uma voltagem, é uma pequena corrente elétrica.

Ainda na era analógica, engenheiros perceberam que existia um nível ideal de energia para os sistemas. Baseados nesses estudos, foram definidos padrões e níveis de voltagem adequados para as correntes que trafegam pelos aparelhos. Uma vez que os sinais gerados por microfones e captadores estavam bem abaixo desses níveis, era necessário que eles passassem por um estágio de pré amplificação, antes de entrarem no sistema. Daí o porquê dos prés.

Figura 1 – Avalon 737, o sonho de consumo de muitos produtores brasileiros.

Com o advento do digital, o sinal elétrico passou a ser traduzido em dados de computador, sendo armazenado em HDs. No início dessa era, novos fatores também passaram a influenciar a necessidade de lidar com níveis ideais de pré amplificação. Os computadores tinham menos poder de processamento para lidar com eventuais arquivos pesados, que resultassem de conversões mais detalhadas, bem como, tais tecnologias de conversão ainda estavam em aprimoramento. Por essa limitação na representação do sinal elétrico, era necessário trabalhar com sinais de entrada hot, mais altos (mais inclusive do que a média utilizada em sistemas analógicos), a fim de alcançar o máximo de resolução possível. Daí talvez, tenha surgido uma regrinha bastante difundida, mas polêmica, que é “grave o mais alto possível, sem clipar”. Em breve, quero fazer um artigo sobre o nível ideal de entrada dos sinais na gravação. Aguarde.

Com a evolução tecnológica de maneira geral, computadores ficaram mais baratos e potentes, bem como os sistemas de produção musical se popularizaram. Atualmente, a maioria das interfaces de áudio permite gravação de alta resolução, sem as limitações do passado. Os sistemas digitais possuem baixíssimo nível de ruído, permitem o registro de uma extensa faixa dinâmica, sem perda de qualidade e em sua maioria, possuem prés integrados de ótima eficiência (leia-se, ampla margem de injeção de ganho, com ótima preservação das características dinâmicas e de frequência dos sinais, sem adição de ruídos).

Quais então seriam as reais vantagens de se investir em prés externos?

– Trabalhar com microfones de baixíssimo sinal, como os ribbon (de fita), uma vez que esse tipo de dispositivo necessita de ganhos que podem ficar acima de 70 dB. Vale ressaltar, que os mais puristas, também acusam os prés integrados de velarem o som quando forçados acima de 50 dB, mas convenhamos, que esse limite não é atingindo na maioria dos usos comuns que fazemos, mesmo com dinâmicos convencionais, menos sensíveis.

– Prés externos de gabarito possuem baixíssimo ruído, mesmo quando forçados a ganhos mais intensos, enquanto que prés integrados mais simples podem resultar em algum chiado acima de 45-50 dB. Mas, como dissemos acima, esse não é o caso da maioria dos usos.

– Os circuitos mais elaborados, incluindo os valvulados, são conhecidos por adicionarem uma sonoridade especial às amostras e isso é bastante aceito. Da mesma forma, que também é bastante unânime o fato de que uma pequena melhoria, nem sempre muito perceptível, demanda altas doses de investimento.

Figura 2 – clássico microfone ribbon.

Ficamos então com a pergunta original do post: você precisa investir num pré externo?

Para te responder, resolvi traduzir um trecho de um artigo postado no site da Neumann, uma das marcas mais conceituadas de microfones, equipamento este, altamente dependente dos prés amplicadores:

“Se você está apenas começando, esqueça um pré-amplificador externo. Em vez disso, obtenha uma interface de áudio um pouco mais cara, com prés integrados decentes. Um pré-amplificador externo pode melhorar significativamente a qualidade do som, se você trabalhar com microfones de baixa saída, como os de fita. Mas, com condensadores, um pré-amplificador externo faz menos diferença.

Um pré externo é um grande segundo passo para melhorar seu som ou para ter mais variedade, mas não dê o segundo passo antes do primeiro. Você pode fazer ótimas gravações apenas com os pré internos da sua interface e um ou dois microfones de qualidade.”

Então, amiguinho, por mais que existam os purismos do áudio, você precisa ser honesto consigo mesmo e se questionar: será mesmo que é um pré o fator que explica as pendências do seu som? Será mesmo que existe algum fator externo?

Eu reforço a ideia acima, dê um passo de cada vez e digo mais, não somente as placas mais caras te oferecem resolução e prés honestos, muitos equipamentos de baixo custo possuem um ótimo benefício. Logo, na minha opinião, o primeiro passo é adquirir conhecimento para extrair o máximo de som, do que você já possui em mãos.

Figura 3 – placa UMC22 da Behringer, de apenas 39,00 dólares e que oferece ótimos recursos para produção musical, incluindo prés integrados desenvolvidos pela renomada empresa Midas.

Vou além, para os iniciantes e intermediários, não existe nenhum investimento que possa trazer tanta melhoria de resultado do que o conhecimento.

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