Check List para gravação de bateria – Evite os principais erros

Gravação é um processo muito, mas muito frágil! Uma corda que você não trocou, uma palheta que esqueceu e acabou usando uma inadequada, um instrumento que não está afiando bem, uma pele de bateria que estoura, um arranjo que o músico não executa direito e vários outros mini detalhes, são suficientes para arruinar um dia de gravação e fazer você gastar tempo e $$$ sem necessidade.

Fora o desgaste emocional que esse tipo de situação gera e que pode comprometer seriamente o futuro e resultado de uma produção. Fui dramático? Sim e não é pra menos. Espero que isso deixe os produtores mais novos em alerta.

Então, pensando aqui com meus botões, numa série de tretas que estão envolvidas em gravação de bateria, decidi criar esse check list para te ajudar a desviar das armadilhas do momento rec!

Obviamente, tudo começa com um bom planejamento pré-gravação e claro, no dia, também é preciso ficar ligado em alguns detalhes. Então organizei as dicas da seguinte forma:

Planejamento pré:

 

Músico

Sempre digo que 50% do sucesso da gravação é a execução. Então, no quesito músico, tenha certeza de ter o cara certo para o trabalho e de ter dado tempo para o sujeito se preparar (isso é especialmente importante quando falamos de músicos de banda, que não estão sempre em estúdio).

Dica: prepare as guias e vá com o cara num estúdio de ensaio ver se ele dá conta de tocar com metrônomo, não confie na experiência que ele diz ter, a não ter que tenha plena certeza do risco.

Arranjo

Não adianta nada ter um bom músico, se o arranjo não está muito bem definido e funcionando na canção. É claro, que na hora do rec, mágicas acontecem e de repente pode pintar alguma ideia nova em cima da hora, mas não confie nisso. Garanta que pelo menos 95% do que será gravado está combinado.

Instrumento

Eu não sou muito purista, daqueles que discutem a influência de cada camada do casco da bateria, mas um bom instrumento é fundamental. Informe-se antes do que estará disponível para a gravação e de preferência, se for possível, faça testes prévios.

Ah! É fundamental que a parte de ferragens esteja funcionando bem. Não adianta ter um puta instrumento famoso, se ele estiver com parafusos empenados e afinando mal, por exemplo.

Local

Esse tópico é especialmente importante para você que não irá gravar num estúdio. Sim, no universo das gravações caseiras é totalmente possível você ter uma gravação profissional, pegando caminhos alternativos, mas não dê bobeira.

O espaço tem que ser favorável em vários sentidos: ter uma dimensão e acústica aceitável. Não ter problemas de vazamento internos ou externos (você não vai querer sua gravação interrompida pela polícia, vai? rs).

Além disso, garanta que você terá a quantidade de tempo suficiente para o trabalho. Principalmente se for um estúdio e o taxímetro estiver ligado. Não economize em ter um prazo folgado, como falamos, muitos imprevistos podem pintar e você precisará de tempo para resolvê-los.

Equipamento

Obviamente, além do instrumento e músico, você precisará de equipamentos de gravação. Se estiver planejando uma gravação alternativa, tenha certeza de que não falta nada, faça com muita calma uma lista do que precisa levar e lembre-se de testar e ligar tudo antes.

Se for um estúdio, ok, menos mal, mas não seja preguiçoso. Ligue ou visite o estúdio para confirmar que você tem tudo o que precisa em quantidade e qualidade.

Gravação

 

Canais

Uma das principais tretas no dia da gravação é a quantidade de canais. Sim, é possível gravar uma bateria até com um canal, mas isso não quer dizer que terá a melhor condição na hora de mixar.

Se não quer ficar limitado e ter acesso independente a todas as peças, você precisará de um canal por microfone. Muitas vezes, uma placa com 6, 8 canais vai te exigir sacrificar algum elemento. Então, se estiver nessa situação, pense nisso antes e defina o que é melhor você eliminar: Hi hat? Room? Esteira? Um surdo ou tom? Depende…

Microfones e Microfonação.

Obviamente, você precisará de microfones para sua gravação. Trace antes sua estratégia de captação, para saber se terá o número e os microfones ideais para sua captação.

Mesmo assim, lembre-se de na hora gastar algum tempo mudando posições e os microfones em si de peças… às vezes o que você acha que será uma puta opção para uma peça, pode não ser. Às vezes o que na teoria não seria uma opção coerente, pode ser funcional. É uma questão de teste.

Conclusão…

Existe muito mais coisa para se falar, eu sei… este foi apenas uma introdução ao tema. Existem outros detalhes sobre como preparar uma guia funcional para gravação, ou como configurar uma monitoração correta para músico e técnico, que falarei numa outra oportunidade, dentre outras.

Se você quer aprender a usar bateria real nas suas produções, ou se já faz isso e quer aprimorar seu resultado, não só de gravação, mas de edição e mixagem, te convido a conhecer o meu curso Batera Real. Nele você aprenderá como ter um som profissional de batera, mesmo se for gravar de forma alternativa, fora de um estúdio. Confira.

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