Em qual volume finalizar uma produção?

A pergunta “qual volume devo finalizar minhas produções?” é a mais comum quando o assunto é masterização. O fato é que não existe um padrão oficial e justamente essa falta de padrão é responsável pelo o que chamamos de Loudness War (Guerra de volume), uma disputa entre produtores para ver quem soa mais alto e encanta mais o cliente. Isso vem ao longo do tempo ,degradando a qualidade da música que ouvimos, pois volume, nem de longe, significa qualidade, muito pelo contrário.

Na verdade, acreditar que o mais alto é melhor é apenas uma peça que nossos ouvidos nos pregam. Inclusive, devemos sempre tomar o cuidado de equiparar o volume de qualquer comparação que estivermos fazendo em termos de julgamento de áudio.

Essa história de disputa de volume, que já vem desde a década de 90, começou a tomar novos rumos com o advento do streaming. Hoje, é a forma mais popular de audição de música e os servidores estão justamente tentando estabelecer um padrão, que favorece a qualidade final das produções.

Os serviços mais famosos (Spotify, iTunes, Deezer, Youtube, Tidal…) estão seguindo, aproximadamente, as recomendações da AES (Audio Engineering Society), que são:

– O volume de média máximo deve ficar extritamente entre -20 a -16 LUFS (integrated).
– O volume de pico máximo não deve ultrapassar 1 dB (peak).
– A medição short-term não deve ultrapassar a integrated em mais do que 5 LUFS.

Para quem quiser confirmar, segue o documento oficial da AES.

Essas recomendações, associadas a algoritmos que igualam o volume de todas as músicas da plataforma, são passos importantes no sentido de pararmos com essa bobeira de disputar volume e focarmos em entregar material de qualidade para o ouvinte, que é o que importa.

“Mas e o meu concorrente?” você pode se perguntar. Realmente, quando entramos no contexto dos prestadores de serviço a coisa fica mais complexa, porque além da pressão das grandes produções (que principalmente em CD, seguem com o padrão volume absurdo), existe a pressão local, dos concorrentes da região. É muito comum um estúdio vizinho servir de referência para o outro. Até mesmo, já ouvi relatos de estúdios que, num ato de extrema falta de ética, convidam o cliente para ouvir e comparar suas produções com as da concorrência.

Essa prática talvez ainda perdure a Loudness War por um bom tempo, então, como proceder? Por agora, acredito que aprender a finalizar uma master em volume alto ainda é um bom exercício, em nível de estudo, mas já se faz necessário aprender também a atender padrões mais baixos.

Respondendo à pergunta do título, você pode finalizar uma ou mais versões da mesma música, dependendo da sua disponibilidade. Se quer fazer frente às super produções, boa sorte, você provavelmente terá o desafio de soar a -6, -5 LUFS, sem detonar sua música. Se está sem muito tempo e vai optar por uma única versão, mas não quer comprometer o resultado, algo entre – 12 e – 9 LUFS já seria suficiente. Se tem um pouco mais de tempo, minha proposta é criar mais de uma versão, de repente, uma alta para CD e outra no padrão streaming.