INTERSAMPLES! Como detectá-los e evitar que sua master distorça!

Este é um artigo gratuito, mas caso se sinta à vontade, apoie a produção de novos artigos através de uma doação de qualquer valor. É correto e acessível a todos.

Doar

 


 

Intersamples são criaturinhas mágicas demoníacas que fazem sua master clipar e distorcer, mesmo que você esteja usando um limiter e mesmo que nenhuma luz de clipping acenda na DAW. Mas que tipo de bruxaria é essa?!

Siga o raciocínio passo a passo:

1 - O que é o som? Uma perturbação ondulatória. Uma energia mecânica que se propaga em um meio.

2- Como o som é gravado? Um sistema analógico de captação realiza uma transdução, ou seja, transforma uma forma de energia em outra, no caso, a energia mecânica do som em uma representação elétrica (sinal elétrico).

3 - Como que um som é armazenado e processado por um computador? Um sistema digital realiza uma conversão, ou seja, transforma o sinal elétrico captado em dados de computador, que por sua vez, podem ser guardados num HD e manipulado por softwares.

4 - Como que o som é reproduzido por um computador? Os dados de computador fazem o caminho inverso, sendo transformados em sinal elétrico e enviados para caixas de som.

Pegou? Essa é a teoria basicona de funcionamento do sistema digital. Na entrada, o sinal sofre uma conversão A/D (Analógica para Digital) e na reprodução, uma conversão D/A (Digital para Analógica).

A conversão se dá por amostragem , ou seja, do montante total de informações sonoras de um sinal elétrico, coleciona-se vários pedacinhos (samples=amostras), reunidos em outro bolo, que tenta representar fielmente o sinal original.

Fig 1 - Na imagem acima você tem a representação de uma onda sonora. Os pontos vermelhos representam samples amostrados.

Fig 2 - De fato, um arquivo digital forma um mapa de amplitude e localização dos samples no tempo. Grosseiramente falando, a conversão tem o papel de ligar esses pontos, gerando uma audição contínua. Porém, repare como uma má representação do sinal, utilizando poucos samples, pode gerar um erro de interpretação. Uma distorção da realidade. Como você imagina a ligação desses pontos acima? Representa bem a onda anterior?

Fig 3 - Na figura acima, no tempo inicial temos o esquema de uma alta resolução (conversão com muitos samples) em contraste à baixa resolução (poucos samples). Quanto mais samples melhor é a representatividade, logo, maior é a qualidade do áudio. Atualmente a resolução padrão de gravação é de 24 bits /44.1 KHz. Isso significa que cada segundo de sinal original é representado por 44.100 samples com 24 bits de tamanho. Isso é bastante coisa, suficiente para oferecer todo detalhamento perceptível ao ouvido humano.

Sabemos que todo sistema digital possui um limite de volume que ele consegue trabalhar, sem ser sobrecarregado. Para este sistema, convencionou-se uma escala de volume chamada Full Scale, onde o teto é representado por 0 (dbFS). Passou de 0, clipou! Como os samples são representações pontuais, é possível que a ligação entre eles não seja fiel ao sinal original, gerando uma reprodução com momentos de volume acima do esperado.

Fig 4 - Na imagem acima os pontos vermelhos representam os samples de um sinal original, em azul.

Fig 5 - O esquema acima mostra o erro de reprodução, que acaba por gerar uma representação errônea de amplitude (intersample). Se estivermos trabalhando no limite da Full Scale (como numa masterização), os intersamples podem sobrecarregar o seu sistema (clipar acima de 0) mesmo que em seu canal master exista um limiter e nenhuma luz de clipping se acenda.

Talvez você nunca tenha percebido nada de errado nas suas produções. Certo? Isso se explica pelo fato dos sistemas digitais dedicados à produção, como sua interface externa, terem uma tolerância maior ao clipping, não gerando distorções audíveis, mesmo que alguns intersamples ultrapassem o limiar. Infelizmente, o mercado está cheio de reprodutores de áudio digital que não possuem tal proteção e sua música, que soa linda no seu estúdio, poderá soar ardida e distorcida no celular do seu cliente/público, por exemplo. Na minha opinião, essa é mais uma característica que separa as produções medianas das grandes produções. Controlar intersamples será um passo a mais na direção daquela maciez que os grandes técnicos de masterização produzem.

Você deve estar se perguntando como resolver essa treta! Ok, aí vai.

Como os medidores de volume das DAWs lêem a amplitude (Peak) dos samples mapeados,  não acendem na ocorrência de intersamples. Logo, para detectar os intersamples você precisa de uma ferramenta que faça essa leitura. Além disso, é importante utilizar um limiter que possua o recurso de Oversampling para otimizar a leitura dos samples mapeados e evitar erros de interpretação.

Fig 6 - Grosseiramente falando, a técnica de oversampling calcula samples extras (em verde), adicionando mais marcações ao mapa de amostragem. Perceba que na prática não existe adição de informações sonoras, mas o mapeamento extra garante uma conversão precisa, preservando a qualidade original registrada e evitando distorções.

Confira o vídeo em que eu mostro na prática a detecção dos intersamples e o seu controle via oversampling:

Quer ser avisado do
próximo artigo? Inscreva-se!