Qual o volume ideal para cada track da mix?

Este é um artigo gratuito, mas caso se sinta à vontade, apoie a produção de novos artigos através de uma doação de qualquer valor. É correto e acessível a todos.

Doar

Semana passada, no último artigo, falei sobre como se conseguir uma voz bem encaixada na mix. Muita gente gostou das dicas e veio me perguntar qual seria o meu aproach para os demais elementos. Seria bastante complicado fazer um artigo com todos os elementos de uma música (possuo um curso chamado Programa Desenvolva Áudio que te dará essa noção), então, hoje, vou estender um pouco o assunto, como pediram, mas abordando o aspecto cola de uma forma mais global.

Quando o assunto é cola, os caminhos são muitos e isso gera bastante dúvida. Aliás, essa é a grande dificuldade da mixagem em si, cada um dos atributos principais de uma boa mix vêm de uma associação de recursos, técnicas e ferramentas. Cola pode vir desde o summing (soma) feito por uma mesa de som; da compressão e saturação natural de fita; obviamente, de equalizadores e compressores; mas talvez o principal recurso, seja o mais negligenciado: equilíbrio de plano de volumes.

Plano de volume é a relação de distância entre os elementos de uma música, tendo o ouvinte como ponto de referência. Expressões como "na cara" indicam que o elemento está num plano próximo dele, enquanto "enterrado" significa que o elemento está muito inserido e num plano distante dentro da mix. Logo, um equilíbrio de aproximação dos elementos é um dos passos mais fundamentais para se ter uma sensação de acoplamento, cola. Mas como conseguir esse resultado?

Primeiramente, vamos entender alguns conceitos pra facilitar nossa vida:

- Pense num transiente de um elemento qualquer. Vamos dividi-los em dois momentos (como plugins transient shaper fazem): inicial (os primeiros milisegundos) e o restante. Quando elementos possuem o momento inicial muito destacado, dizemos que possuem um pico.
A figura mostra um transiente com pico destacado.

- Agora, vamos pensar no transiente como se fosse um relevo. Imagine uma montanha bem alta e pontiaguda, o ponto mais elevado seria analogamente o pico do nosso transiente, descendo pelo corpo da montanha até à base, o chão. Alguns elementos são como nossa montanha, mas outros não possuem picos pronunciados, sendo apenas um chão acidentado, com  altos e baixos.

- No áudio possuímos algumas formas de medir a variação do nosso "relevo", os principais medidores são: Medidores de Peak, por serem ágeis percebem os picos; Medidores de Média (RMS e LUFS), que por serem lentos, ignoram os picos e concentram-se na leitura da variação do chão.

A figura mostra um esquema de relevo. O contorno não lembra um transiente de voz, por exemplo?

Tendo em mente os conceitos acima, podemos agrupar os elementos em duas categorias principais em termos de volume:

1 - Os de transientes rápidos, com intensidade nos picos, como as tracks de uma bateria.

2 - Os de transientes lentos, sem picos pronunciados e com massa sonora no chão, como voz, baixo, instrumentos de base.

A grande sacada, é utilizar esses dois tipos de transientes, para se estabelecer os limites do nosso relevo, o que também poderíamos chamar de faixa dinâmica (dynamic range). Grosseiramente falando, esta define a distância entre pico e chão da superfície de sua mix.

Um campo com a profundidade adequada (e isso depende de cada estilo de música e mixador) irá manter os elementos próximos e audíveis, com um bom equilíbrio e boa dinâmica. Para isso, basta usar os elementos do tipo 1 para estabelecer o limite de Peak e os elementos do tipo 2 para estabelecer o limite do chão (RMS/LUFS).

Assista o vídeo em que mostro um ponto de partida prático para o que foi dito anteriormente:

 

 

Quer ser avisado do próximo artigo? Inscreva-se!